20 fevereiro, 2020

Entrevista ao designer de moda João Sousa


“O estilo e a moda é a primeira abordagem que temos de alguém”




João Sousa nasceu a dez de junho do novo milénio, o ano 2000. A paixão pela moda surgiu desde cedo. Em 2015, com apenas quinze anos, começou os seus estudos em design de moda na Escola de Moda do Porto. Em 2018 desenvolve a sua primeira coleção para Primavera/Verão 19 intitulada "Filhos do Lago”, onde teve a oportunidade de se estrear na plataforma de jovens criadores do Portugal Fashion, o Bloom.

A paixão pela moda como surgiu?
A paixão pela moda surgiu desde criança, segundo a minha mãe foi por volta dos quatro anos que disse pela primeira vez que queria ser designer de moda. A minha família está ligada à indústria, a minha mãe é locutora de rádio e apresentadora de eventos, nomeadamente na categoria da moda, o meu pai está ligado aos acessórios têxteis e a minha irmã a fotografia e marketing, acho que só faltava um designer na família!

A família alguma vez influenciou na escolha da área da moda?
Apesar de eu crescer no meio das profissões diferentes ligadas à moda, a minha família nunca puxou para eu ser designer, mas apoiou assim que tomei a minha decisão.

Como foi a experiência de estudar Design de Moda na Escola de Moda do Porto?
Estudar na EMP fez-me designer. Eu entrei sem saber nada da indústria da moda, mas com uma enorme paixão, o mundo criativo. Foi na Escola de Moda do Porto que aprendi tudo o que sei e me defini como designer através da formação com nomes de referência da moda nacional como João Melo e Costa e Hugo Costa, tive ainda oportunidade de participar em diversos concursos que me proporcionaram uma nova visão e diferentes desafios.

Em que medida é que a moda mudou a sua vida?
Não propriamente a moda em si, mas toda a mudança da minha cidade para o Porto fez-me mais livre, com um pensamento mais abrangente, sem preconceitos e tabus. Ajudou-me a transmitir uma mensagem e a criar um nome, que ainda pequeno, para mim era impensável com apenas dezanove anos.



O facto de ter a oportunidade de estagiar para a empresa de Denim Heavy Jeans e desenvolver algumas peças da coleção de Inverno 2018 e Verão 2019 foi enriquecedor?
Foi, aprendi a lidar com o cliente, com novos materiais e a pensar na forma do cliente que pode ser, e no caso foi, completamente diferente da minha visão enquanto designer.

Considera a moda uma forma de expressão?
Sim. O estilo e a moda é a primeira abordagem que temos de alguém. Eu posso estar a 100 metros de alguém e através daquele look decifrar um pouco das crenças daquela pessoa, saber o que ela defende! Claro que não sabemos tudo, mas é uma porta que se abre a partir desse momento!

Qual foi a sensação que teve ao criar a primeira peça?
Eu acho que não tive sensação para ser sincero. Não é uma peça que me agrade muito hoje em dia, também porque na altura sabia muito pouco. Contudo acho que posso afirmar que deu-me mais força para melhorar!

A inspiração para a realização das suas peças baseia-se em algo em concreto?
Há um fio condutor que tento transmitir que é uma mensagem sustentável, ainda que não seja a 100% porque infelizmente nada pode ser 100% green, mas ainda que pouco ter essa consciência. Opto sempre por artigos nacionais e uma assinatura 100% portuguesa e pretendo ainda que cada coleção tenha uma mensagem, seja ela ambiental, social ou política.

Uma tendência que considere intemporal?
Não uma tendência em específico, mas uma cor, o branco e os neutros. É algo que gosto de trabalhar e pretendo continuar a explorar na minha marca.



De que forma é que a participação em vários concursos nacionais tais como Namorar Portugal e Vestido de Chita foram positivos para a sua carreira?
Foi muito enriquecedor, deu-me a oportunidade de conhecer novos materiais e criar portfólio. Foi através destes concursos e trabalhos que fui crescendo como criador!

Além disso, em 2018, vence o seu primeiro concurso, um dos mais importantes em Portugal, os "Novos Criadores PFN” que o leva a apresentar a sua primeira coleção no Bloom, como foi lidar com todas essas conquistas?
Eu não estava à espera de ganhar o concurso e de me estrear no Bloom com dezoito anos. Lembro-me que no dia do desfile ainda pensava que era apenas uma apresentação de um trabalho, mesmo a escola tendo terminado há quatro meses. Mas a porta abriu-se e eu aceitei o desafio, e aos poucos vou construindo este caminho.

No mesmo ano, torna-se ainda um dos vinte finalistas do concurso de Denim da Troficolor com o seu projeto, como se sentiu quando lhe foi dada a notícia?
Fiquei muito grato, aliás posso afirmar que foi a partir deste concurso que juntei a Troficolor à família João Sousa. Mesmo sem ter ganho, desde então tenho a oportunidade de trabalhar com materiais deles nas minhas coleções! 



Um plano para o futuro?
Acho que o sonho de qualquer designer, incluindo o meu, é apresentar no exterior. Gostava ainda de vestir a minha musa, Candice Swanepoel, quem sabe um dia!

Qual foi o maior desafio que teve até hoje?
Fazer com que as pessoas acreditem que um jovem pode alcançar várias metas e que sabe o que faz. Infelizmente não são todos que dão a oportunidade a um jovem de dezanove anos, contudo, tenho conseguido ultrapassar estes obstáculos que me ajudam a crescer e a lutar pela minha paixão. 

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Por: Luana Teixeira 



27 janeiro, 2020

Entrevista à designer de moda Daniela Barros



"A forma como nos vestimos é um meio de expressão"



Daniela Barros é designer de moda, formou-se em Design de Moda pela Escola de Moda do Porto e estagiou para a marca Heavy Jeans. A designer integra o Espaço Bloom desde a sua criação, em 2010.
Já expôs criações num dos mais conceituados salões de moda parisienses, o Who's Next,
onde ganhou o prémio de Melhor Coleção Feminina, em 2013, e foi nomeada para Melhor Jovem Criadora nos Fashion Awards.
É designer na Hush Puppies Portugal, além de designer assistente da marca Orgnlife e de desenhar para uma marca japonesa.

A paixão pela moda como surgiu?
Foi surgindo, a moda é um “veículo” de expressão que liga aquele que a desenvolve com o que a consome de uma forma mais íntima, talvez foi essa característica que mais me fascinou.

A certeza de que queria trabalhar nesta área sempre existiu?
Não, estudei ciências, mas acabei por me graduar em moda.

Como foi estudar na Escola de Moda do Porto?
Por conselho de alguns amigos.

Considera que um bom estágio é fundamental, isto porque estagiou com uma grande marca, a Heavy Jeans?
A experiência profissional prática, independentemente da natureza que tenha, é sempre mais completa, do que quando estamos apenas a estudar a área, escolher uma boa entidade para estagiar pode ser uma mais valia.

Qual foi a sensação que teve ao criar a sua primeira coleção?
Um misto de felicidade e agonia, com bastante cansaço à mistura.

Relativamente ao percurso e aos prémios que recebeu, o que significou a atribuição do prémio de Melhor Coleção Feminina do Who´s Next, como sabemos um dos mais conceituados salões de moda parisienses, em 2013?
Ter o trabalho reconhecido por entidades importantes na área, faz-me sentir uma responsabilidade acrescida, mas o sentimento é muito agradável.

Além desse prémio, o título de Melhor Jovem Designer em 2014 também lhe foi atribuído, qual foi a sua reação?
Inesperada, porque estava nomeada juntamente com dois colegas que tem um trabalho bom, o Ricardo Andrez e o Estelita Mendonça, não estava nada à espera de vencer a categoria, mas foi igualmente, muito agradável.

O facto de ter estado na semana da moda de Paris, com o apoio do Portugal Fashion, sente que foi uma mais valia?
Sim, o meu mercado é 95% internacional, pelo que o apoio do Portugal Fashion com a Europa e da The Citizen room Nos Estados Unidos e Canadá, é fundamental.

No que diz respeito aos desfiles que realizou, em 2012, esteve na Holanda, no âmbito da iniciativa Fashionclash, pode fornecer mais pormenores acerca desse acontecimento?
É um evento mais artístico, em ambiente quase que de concurso. Foi uma candidatura espontânea, fui selecionada e embarquei na aventura. Conheci imensas pessoas interessantes, é um evento que está a crescer.

Mais tarde, em 2013, desfilou com o Portugal Fashion na Viena Fashion Week, o que surgiu desse evento?
Mais contactos e comunicação.

Posteriormente, em 2014, esteve presente no Fashion Scout Londres, na London Fashion Week, como foi essa experiência?
Londres é um mercado de excelência, mas o mais fundamental é a comunicação que obtivemos durante a semana de moda.

Com o apoio da Anje, as suas coleções foram expostas no Scoop International Fashion Show em 2013 e no Capsule Show em Paris em 2014, considera que foi um grande desafio?
Sim, sendo um showroom e a marca tão jovem foi sem dúvida um desafio, mas bastante importante para o crescimento da marca.

O que simboliza desenhar para uma marca japonesa?
Significa ver o nosso trabalho globalizado.

As viagens são vistas, na maioria das vezes, como a abertura de novos horizontes, por isso, ter ido a vários países possibilitou-lhe novas ideias para as suas criações?
Sempre. A inspiração ou ideias novas podem surgir nas coisas mais simples, mas no ambiente de uma viagem, onde mesmo que em trabalho somos turistas, o estímulo da novidade aumenta a nossa capacidade criativa.

O que a inspira quando idealiza uma peça que pretende criar?
O corpo humano primeiro como base para tudo.

Qual a dica de moda que julga imprescindível?
Ser resiliente, e ir para além daquilo que vemos à partida.

Dois exemplos de peças que adorou criar?
Adoro desenvolver casacos.

Do seu ponto de vista, qual é o papel que a moda possui na atualidade?
É um meio de expressão, a forma como nos vestimos é a forma como nos apresentamos uns aos outros, mesmo quando uma pessoa usa farda, à partida distinguimos a sua profissão sem lhe perguntar nada. Ou quando usamos uma t-shirt com um determinado slogan, de alguma forma concordamos ou identificamos a nossa personalidade com ele.

Acredita que as suas criações, por norma, são mais direcionadas para pessoas com um estilo específico?
No geral, sim é para um nicho de mercado.

Como descreve a coleção desta estação outono/inverno 2019?
Com muita expressão.

Possui algum plano para um futuro próximo?
Vários, mas ainda confidenciais.

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Por: Luana Teixeira 






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