27 janeiro, 2020

Entrevista à designer de moda Daniela Barros



"A forma como nos vestimos é um meio de expressão"



Daniela Barros é designer de moda, formou-se em Design de Moda pela Escola de Moda do Porto e estagiou para a marca Heavy Jeans. A designer integra o Espaço Bloom desde a sua criação, em 2010.
Já expôs criações num dos mais conceituados salões de moda parisienses, o Who's Next,
onde ganhou o prémio de Melhor Coleção Feminina, em 2013, e foi nomeada para Melhor Jovem Criadora nos Fashion Awards.
É designer na Hush Puppies Portugal, além de designer assistente da marca Orgnlife e de desenhar para uma marca japonesa.

A paixão pela moda como surgiu?
Foi surgindo, a moda é um “veículo” de expressão que liga aquele que a desenvolve com o que a consome de uma forma mais íntima, talvez foi essa característica que mais me fascinou.

A certeza de que queria trabalhar nesta área sempre existiu?
Não, estudei ciências, mas acabei por me graduar em moda.

Como foi estudar na Escola de Moda do Porto?
Por conselho de alguns amigos.

Considera que um bom estágio é fundamental, isto porque estagiou com uma grande marca, a Heavy Jeans?
A experiência profissional prática, independentemente da natureza que tenha, é sempre mais completa, do que quando estamos apenas a estudar a área, escolher uma boa entidade para estagiar pode ser uma mais valia.

Qual foi a sensação que teve ao criar a sua primeira coleção?
Um misto de felicidade e agonia, com bastante cansaço à mistura.

Relativamente ao percurso e aos prémios que recebeu, o que significou a atribuição do prémio de Melhor Coleção Feminina do Who´s Next, como sabemos um dos mais conceituados salões de moda parisienses, em 2013?
Ter o trabalho reconhecido por entidades importantes na área, faz-me sentir uma responsabilidade acrescida, mas o sentimento é muito agradável.

Além desse prémio, o título de Melhor Jovem Designer em 2014 também lhe foi atribuído, qual foi a sua reação?
Inesperada, porque estava nomeada juntamente com dois colegas que tem um trabalho bom, o Ricardo Andrez e o Estelita Mendonça, não estava nada à espera de vencer a categoria, mas foi igualmente, muito agradável.

O facto de ter estado na semana da moda de Paris, com o apoio do Portugal Fashion, sente que foi uma mais valia?
Sim, o meu mercado é 95% internacional, pelo que o apoio do Portugal Fashion com a Europa e da The Citizen room Nos Estados Unidos e Canadá, é fundamental.

No que diz respeito aos desfiles que realizou, em 2012, esteve na Holanda, no âmbito da iniciativa Fashionclash, pode fornecer mais pormenores acerca desse acontecimento?
É um evento mais artístico, em ambiente quase que de concurso. Foi uma candidatura espontânea, fui selecionada e embarquei na aventura. Conheci imensas pessoas interessantes, é um evento que está a crescer.

Mais tarde, em 2013, desfilou com o Portugal Fashion na Viena Fashion Week, o que surgiu desse evento?
Mais contactos e comunicação.

Posteriormente, em 2014, esteve presente no Fashion Scout Londres, na London Fashion Week, como foi essa experiência?
Londres é um mercado de excelência, mas o mais fundamental é a comunicação que obtivemos durante a semana de moda.

Com o apoio da Anje, as suas coleções foram expostas no Scoop International Fashion Show em 2013 e no Capsule Show em Paris em 2014, considera que foi um grande desafio?
Sim, sendo um showroom e a marca tão jovem foi sem dúvida um desafio, mas bastante importante para o crescimento da marca.

O que simboliza desenhar para uma marca japonesa?
Significa ver o nosso trabalho globalizado.

As viagens são vistas, na maioria das vezes, como a abertura de novos horizontes, por isso, ter ido a vários países possibilitou-lhe novas ideias para as suas criações?
Sempre. A inspiração ou ideias novas podem surgir nas coisas mais simples, mas no ambiente de uma viagem, onde mesmo que em trabalho somos turistas, o estímulo da novidade aumenta a nossa capacidade criativa.

O que a inspira quando idealiza uma peça que pretende criar?
O corpo humano primeiro como base para tudo.

Qual a dica de moda que julga imprescindível?
Ser resiliente, e ir para além daquilo que vemos à partida.

Dois exemplos de peças que adorou criar?
Adoro desenvolver casacos.

Do seu ponto de vista, qual é o papel que a moda possui na atualidade?
É um meio de expressão, a forma como nos vestimos é a forma como nos apresentamos uns aos outros, mesmo quando uma pessoa usa farda, à partida distinguimos a sua profissão sem lhe perguntar nada. Ou quando usamos uma t-shirt com um determinado slogan, de alguma forma concordamos ou identificamos a nossa personalidade com ele.

Acredita que as suas criações, por norma, são mais direcionadas para pessoas com um estilo específico?
No geral, sim é para um nicho de mercado.

Como descreve a coleção desta estação outono/inverno 2019?
Com muita expressão.

Possui algum plano para um futuro próximo?
Vários, mas ainda confidenciais.

Este post também está disponível no Facebook, basta acederem a este link: 

Por: Luana Teixeira 






02 janeiro, 2020

Entrevista à designer de moda Sara Maia

"O papel mais importante que a moda possui na atualidade, é de arranjar formas de ser mais ecológica e sustentável."




Sara Maia, nascida em 1989, é designer de moda desde 2008, ano em que terminou o percurso académico na Escola de Moda do Porto. Nesse mesmo ano, entrou para o Citex finalizando a formação em 2011.

O seu primeiro prémio foi de jovem designer no espaço Bloom do Portugal Fashion em 2012. Em seguida mudou-se para Londres, cidade onde colaborou com várias marcas (Marques´Almeida, Aitor Throup, Maharishi). 

Como surgiu a sua paixão pela moda?

Foi um processo natural, na verdade nunca achei que tinha uma paixão pela moda.


O sítio onde nasceu influenciou a sua admiração por esta área?

Não considero que me tenha influenciado a escolher esta área.


Como foi a experiência de estudar na Escola de Moda do Porto?

Foi importante para me introduzir mais tarde ao design de moda no Citex.


Qual foi a maior dificuldade que sentiu quando entrou no mundo da moda?

As maiores dificuldades acabam por ser financeiras, isto porque cada vez mais existe uma maior necessidade de internacionalizar a marca, o que faz com que exista um maior valor de investimento.


Qual a sensação após criar a sua própria marca?

Talvez uma sensação de medo e o início de uma realização pessoal.


O que significou a atribuição do prémio de Young Designer no Portugal Fashion em 2012?

A confirmação de que tinha capacidades para trabalhar nesta área.


A viagem a Londres, possibilitou-lhe novas ideias para as suas criações?

Viver em Londres durante três anos foi extremamente importante, isto porque fiquei com uma maior noção de como é que criava uma marca de autor.


O facto de em Londres ter colaborado com várias marcas proporcionou-lhe uma experiência diferente, isto é, considera as parcerias uma união de conhecimento?

Claro que sim.


O que a inspira quando pretende realizar uma nova criação?

O que me inspira para criar uma nova coleção podem ser variadas coisas, é um processo que se vai alterando ao longo de seis meses.


Considera que arriscar em novos designs é a melhor forma de marcar a diferença?

Eu considero que se deve apostar em qualquer designer, desde que tenha valor criativo, valor comercial.


Alguma vez surgiram ideias para uma criação olhando para o outfit de alguém por quem passou na rua, por exemplo?

Honestamente não.


Existe alguém que adoraria vestir?

Não.


Dois exemplos de peças que teve muito gosto em criar?

Em especial botas da coleção de Aw19, e quase todos os casacos de todas as coleções.


Qual o maior desafio que já lhe propuseram?

Conseguir internacionalizar a minha marca, mas isso é mais um desafio que me proponho a mim mesma.


Qual é o papel que acredita que a moda possui na atualidade?

O papel mais importante que a moda possui na atualidade, é de arranjar formas de ser mais ecológica e sustentável.


Recorda-se de algum facto ou episódio curioso que tenha acontecido desde que se encontra nesta área?

O facto mais curioso do qual me recordo dele todos os dias é que, nunca pensei que fosse uma área tão difícil!


Acredita que as suas criações são mais direcionadas para pessoas com um determinado estilo?

Totalmente!


Como descreve a coleção desta estação outono/inverno 2019?

Considero que foi o final de um ciclo.


Possui algum plano para um futuro próximo?

O plano de quase todos os designers que tenham marcas em Portugal, internacional. 

Por: Luana Teixeira 






Ads Top